sábado, 9 de setembro de 2006

Contraditório e inesperado!

Não sei de onde partiu essa vontade de escrever algo. Eu que não tenho muitos acessos de José Saramago resolvi colocar pra fora (que coisa mais retrô) tudo o que estava pensando no momento. Na verdade, estou com vontade de escrever por causa de um blog de uma amiga que me despertou a vontade de “cuspir” palavras ao léu. Naquele bendito lugar estão alguns textos completamente desconhecidos por mim, até então, mas de repente passaram a fazer muita diferença.

Não quero ter de explicar porque passaram, até porque, nem eu mesmo sei dizer a razão ao certo. Então, a coisa é assim: um monte de palavras juntas não querem dizer nada e eu também não estou com vontade de dizer nada. E bota contradição na panela da minha cabeça!!!

Acho até que contradição é a palavra que consegue construir uma definição de forma mais ampla e menos conflituosa sobre a minha pessoa. Às vezes acho que isso é um erro e penso que deveria seguir sempre o mesmo raciocínio e atuar como um robozinho. Seria mais fácil e menos turbulento, mas aí vêm o estudo, emprego, família, saúde mulheres e tudo mais o que consegue tirar o sono de um pobre mortal e me faz dizer o oposto de uma semana atrás. Dá-lhe contradição.

Acho que a vida é assim mesmo, às vezes pensamos muitos “straight” (juro que faltou palavra mais adequada), ou queremos ser assim e acabamos por nos “lascar”. Tanto por inaptidão para lidar com coisas novas, quanto com medo de tomar decisões diferentes e ter de arcar com as conseqüências. Dá-lhe contradição.

Além de contraditório, também estou me descobrindo surpreendente.

sábado, 6 de maio de 2006

Bomba! Bomba ! Bomba

“Que é a história senão uma fábula em que todos concordam?” A frase de Napoleão Bonaparte cabe com muita propriedade para o governo Lula. A história de que o presidente da República, que coordenou e comandou o Partido dos Trabalhadores durante anos, não sabia da existência da arrecadação irregular, do partido é pouco crível. Todavia, há quem acredite.

História é assim. Alguns discordam outros confiam nela piamente. O grande exemplo brasileiro é a ditadura militar chamada por uns de golpe e por outros de revolução.

A notícia de que Silvio Pereira, ex-secretário do PT, “abriu o bico” e decidiu contar tudo sobre a história das falcatruas partidárias, precisa serem apurada com maior veemência. Se for verdade, preparem as cabeças e o coração, pois a disputa eleitoral e as pesquisas de intenção de voto vão pegar fogo.

Amanhã, após ler a matéria, comento algo aqui.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

A mão que balança o mundo não move o Brasil?

O que faz as pessoas irem às ruas? Esta pergunta sempre me vem à mente quando alguma coisa me revolta. Em primeiro lugar, para que alguma coisa me revolte, tem de promover um estrago mais ou menos como o Madureira deixar os quatro grandes clubes de futebol do Rio para trás e se sagrar campeão do segundo turno do campeonato carioca. Levando em conta a situação dos clubes cariocas, o exemplo não é dos melhores...

Voltando ao que interessa, refiz a pergunta inicial deste artigo quando assisti ao documentário, “Falcão, meninos do tráfico” exibido pelo Fantástico, no domingo, e vi posteriormente a comoção nacional que pairou sobre todas as castas sociais do Brasil. Do presidente Lula, passando por Luís Fernando Veríssimo e chegando até Adriane Galisteu, todo mundo quis se manifestar sobre o documentário. Bom, comentar é fácil, o problema é saber quantos vão se mobilizar para mudar a realidade de comunidades como a Rocinha, Complexo do Alemão, Pedreira Prado Lopes e outras favelas do país. Será que alguém vai ás ruas por isso?

A pergunta surge novamente quando leio algo sobre as manifestações dos estudantes e sindicalistas franceses, que saem às ruas para protestar contra a malfadada Lei do Primeiro Emprego, estratégia de governo que visa “flexibilizar” o “lado” dos patrões, dando carta branca a demissões injustificadas. O resultado da instituição da lei está estampado nas capas dos jornais: protestos.

Imagine só quantos aumentos você já suportou nos últimos anos? Pão, gasolina, transporte coletivo, escola, ingresso do teatro, roupa, sapato, e por aí vai. E qual a nossa atitude diante disso? Sem considerar o movimento estudantil e algumas outras entidades organizadas da sociedade civil, o saldo pode se resumir a praticamente nada que tenha tanta expressividade assim, pelo menos no meu ponto de vista.

Quando vejo algo no noticiário de jornais sulamericanos, seja no Chile, Argentina, Uruguai ou Venezuela, tento achar uma explicação para a passividade do povo brasileiro. Cidadãos com a camisa da Argentina protestando contra o desemprego, bolivianos esbravejando a favor da nacionalização do gás natural, tudo isso me faz pensar nas razões que levam estes povos a protestarem em favor de suas causas, sejam elas inteiramente válidas ou não.

Tivemos Waldomiros, Delúbios, Azeredos, ACMs, Valérios e outros, mas nenhuma mobilização contra as falcatruas que permeiam a pátria amada. O único consolo que me resta é pensar que fomos colonizados pelos “domadores” errados. Não temos Che Guevara, não temos Simon Bolívar, não temos Emiliano Zapata. Nossos heróis são forjados pelos livros de história e por uma necessidade de se firmar em alguém que garanta identidade própria ao Brasil.

Espero que o maior número de pessoas discorde deste artigo. Não é nenhuma loucura é pelo simples fato de que considero que a indignação, que não é transportada para as ruas, ao menos se manifeste através das idéias.