sábado, 6 de maio de 2006

Bomba! Bomba ! Bomba

“Que é a história senão uma fábula em que todos concordam?” A frase de Napoleão Bonaparte cabe com muita propriedade para o governo Lula. A história de que o presidente da República, que coordenou e comandou o Partido dos Trabalhadores durante anos, não sabia da existência da arrecadação irregular, do partido é pouco crível. Todavia, há quem acredite.

História é assim. Alguns discordam outros confiam nela piamente. O grande exemplo brasileiro é a ditadura militar chamada por uns de golpe e por outros de revolução.

A notícia de que Silvio Pereira, ex-secretário do PT, “abriu o bico” e decidiu contar tudo sobre a história das falcatruas partidárias, precisa serem apurada com maior veemência. Se for verdade, preparem as cabeças e o coração, pois a disputa eleitoral e as pesquisas de intenção de voto vão pegar fogo.

Amanhã, após ler a matéria, comento algo aqui.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

A mão que balança o mundo não move o Brasil?

O que faz as pessoas irem às ruas? Esta pergunta sempre me vem à mente quando alguma coisa me revolta. Em primeiro lugar, para que alguma coisa me revolte, tem de promover um estrago mais ou menos como o Madureira deixar os quatro grandes clubes de futebol do Rio para trás e se sagrar campeão do segundo turno do campeonato carioca. Levando em conta a situação dos clubes cariocas, o exemplo não é dos melhores...

Voltando ao que interessa, refiz a pergunta inicial deste artigo quando assisti ao documentário, “Falcão, meninos do tráfico” exibido pelo Fantástico, no domingo, e vi posteriormente a comoção nacional que pairou sobre todas as castas sociais do Brasil. Do presidente Lula, passando por Luís Fernando Veríssimo e chegando até Adriane Galisteu, todo mundo quis se manifestar sobre o documentário. Bom, comentar é fácil, o problema é saber quantos vão se mobilizar para mudar a realidade de comunidades como a Rocinha, Complexo do Alemão, Pedreira Prado Lopes e outras favelas do país. Será que alguém vai ás ruas por isso?

A pergunta surge novamente quando leio algo sobre as manifestações dos estudantes e sindicalistas franceses, que saem às ruas para protestar contra a malfadada Lei do Primeiro Emprego, estratégia de governo que visa “flexibilizar” o “lado” dos patrões, dando carta branca a demissões injustificadas. O resultado da instituição da lei está estampado nas capas dos jornais: protestos.

Imagine só quantos aumentos você já suportou nos últimos anos? Pão, gasolina, transporte coletivo, escola, ingresso do teatro, roupa, sapato, e por aí vai. E qual a nossa atitude diante disso? Sem considerar o movimento estudantil e algumas outras entidades organizadas da sociedade civil, o saldo pode se resumir a praticamente nada que tenha tanta expressividade assim, pelo menos no meu ponto de vista.

Quando vejo algo no noticiário de jornais sulamericanos, seja no Chile, Argentina, Uruguai ou Venezuela, tento achar uma explicação para a passividade do povo brasileiro. Cidadãos com a camisa da Argentina protestando contra o desemprego, bolivianos esbravejando a favor da nacionalização do gás natural, tudo isso me faz pensar nas razões que levam estes povos a protestarem em favor de suas causas, sejam elas inteiramente válidas ou não.

Tivemos Waldomiros, Delúbios, Azeredos, ACMs, Valérios e outros, mas nenhuma mobilização contra as falcatruas que permeiam a pátria amada. O único consolo que me resta é pensar que fomos colonizados pelos “domadores” errados. Não temos Che Guevara, não temos Simon Bolívar, não temos Emiliano Zapata. Nossos heróis são forjados pelos livros de história e por uma necessidade de se firmar em alguém que garanta identidade própria ao Brasil.

Espero que o maior número de pessoas discorde deste artigo. Não é nenhuma loucura é pelo simples fato de que considero que a indignação, que não é transportada para as ruas, ao menos se manifeste através das idéias.

domingo, 26 de março de 2006

:::Para quem acredita em espíritos

De vez em quando o Brasil sofre de um surto de lingüística em seus textos e discursos. A sensação que se tem é de que todo mundo tem um pouquinho de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos ou Machado de Assis e se auto-concede uma “licença poética” para fazer neologismos. No bojo desta onda de criacionismo está a mídia que por sua função histórica acaba por reproduzir as falácias dos políticos.

Em 2005 as palavras da vez foram propinoduto, denuncismo e valerioduto. Todos originadas da escola do “mensalão” ou “semanão” como preferiram alguns políticos mais exaltados que dispararam críticas contra o governo petista, e, por conseguinte, contra o presidente Luís Inácio Lula da Silva. No meio de todo o palavrório e das trocas de acusações de compra de votos, corrupção e encampamento do Estado brasileiro ressuscitaram a palavra ética e até hoje ela vem sendo utilizada em larga escala. É certo que bem mais por uma tentativa de transmissão de boa imagem da política nacional do que propriamente pelo conhecimento ou posse desta característica.

Nem a dita direita (PSDB, PFL e outros), nem o centro (PMDB), nem a dita esquerda (PT, P-SOL e outros) conseguem convencer com os discursos nos palanques da câmara e do senado. O caso mais patente da falta de ética aconteceu justamente no local que pelo próprio nome deveria se nortear por esta: o Conselho de Ética do Senado.

Para surpresa (ou não) do povo e felicidade geral dos tucanos o processo que era movido contra o senador Eduardo Azeredo foi arquivado nesta terça-feira . A acusação de que ele teria recebido R$ 9 milhões do empresário Marcos Valério na campanha de reeleição ao Governo de Minas em 1998, foi completamente ignorada pelo presidente do Conselho, João Alberto (PMDB-MA). Segundo ele o processo foi arquivado “porque o estatuto define que só teremos de apurar as coisas durante o mandato, e na época Eduardo Azeredo estava lutando pela reeleição", como se a ética na política não perpassasse também as disputas eleitorais que são bancadas com recursos de empresas que posteriormente, e na maioria das vezes, são beneficiadas com licitações da máquina estatal.

Mesmo com a confirmação do tesoureiro da campanha de Azeredo, Cláudio Mourão, do uso de recursos de caixa-dois na campanha do tucano a denúncia foi ignorada e não será investigada. A falta de ética que salvou deputados de serem cassados parece estar contaminando outros locais de Brasília. Seja direita, esquerda ou qualquer classificação ideológica que se faça dos partidos e políticos contemporâneos uma palavra consegue caracterizá-los: corporativistas.

Nos últimos quatro anos ficou provado que o PT falou bobagem ao se intitular o partido detentor único da ética e ter de se desculpar por cometer as mesmas falcatruas que os comparsas anteriores a ele no poder. O hábil PSDB se utilizou desse discurso para se mostrar como alternativa ética ao atual governo, só não caiu na mesma armadilha porque ninguém se dispõe a investigar o ninho tucano. Será que alguém vai inventar alguma palavra classificar o porquê disso? Os espíritos de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Machado de Assis poderiam ajudar nesta hora.